Artigo Especial do colaborador Paulo Machado em homenagem ao aniversário de Esperantina.
Experiências sofridas, mas que garantem a transformação de vida na maior cidade do Brasil
![]() |
| Vista de São Paulo com destaque para os edifícios Copan e Itália, símbolos da cidade. |
Conhece-se bem o fenômeno da migração entre os seres humanos. Entretanto, não é somente nós que temos a capacidade de migrar, muitos animais também fazem isso, principalmente as aves. As andorinhas constituem o caso mais famoso e emocionante da migração entre os bichos. Tanto os seres humanos quanto as aves migram em busca da sobrevivência.
O ser humano migra pela necessidade de encontrar trabalho e o mínimo de dignidade na vida. Os bichos vão em busca de comida, calor e um habitat ideal. A migração é um processo doloroso, onde pode ocorrer a perda das raízes do local que ficou para trás. Consolidada como uma das maiores cidades do mundo, São Paulo recebem imigrantes do Brasil inteiro e de muitos outros Países. São Paulo recebe também muitos migrantes que deixaram Esperantina, cidade no norte do Piauí.
Desafios a cada dia
O gigantismo de São Paulo constitui o maior desafio para seus migrantes. São 11 milhões de pessoas na cidade, mas chega a 18 milhões quando somados a os habitantes das cidades situadas em volta da grande metrópole. Como sobreviver numa cidade tão grande, tão disputada e tão cara? Quem estiver melhor preparado sobreviverá. Os que necessitam de preparo se deparam com mais dificuldades e a certeza da derrota. Podem voltar para casa ou em casos extremos integrar à população de moradores de rua que há em São Paulo. O cotidiano da cidade faz com que não se tenha tempo para o cultivo das amizades e demais convívios sociais. Em São Paulo se vive na solidão.
Fontes de trabalho
É essencial que o migrante que chegue a São Paulo tenha pelo menos o curso de Ensino Médio concluído e um certo conhecimento de informática. Até para o desempenho de atividades de faxineiro se exige o Ensino Médio. Para os que tiverem uma baixa escolaridade só haverá esperança na construção civil, como ajudante. Em São Paulo se exige ainda que o trabalhador tenha contrato recente na Carteira de Trabalho. Se não tiver, o trabalhador estará eliminado das possibilidades de emprego, mesmo tendo capacidade para exercê-las. Há ainda a preferência por pessoas bonitas, embora seja proibido por lei. Seja em que atividade o trabalhador esteja, ele poderá não ter dia certo nem horário para trabalhar. Pode até mesmo trabalhar em diversos locais. Fim de semana, feriados? Deve esquecer ! São Paulo é uma cidade 24 horas.
Custo de sobrevivência
São Paulo é uma das cidades mais caras do mundo. Quem tiver um emprego tem apenas dinheiro para comer e pagar o local onde mora. Quem for disciplinado com o dinheiro pode economizar um pouquinho para investir em algo. A maioria dos migrantes moram na periferia, ou nas cidades conurbadas, como Osasco, Barureri, Guarulhos, Santo André ou Carapicuíba. A caminho do trabalho se gasta mais de 1 hora em ônibus, trem ou metrô.
Algo comum para um migrante esperantinense em São Paulo é o contato frequente por telefone com familiares que ficaram no Piauí, principalmente para os que trabalham na construção civil. Como essa atividade não garante emprego fixo, quem nela trabalha já tem data marcada para voltar para casa... É aquele trabalhador humilde que economiza para construir a casa própria em Esperantina. Os mais jovens economizam para comprar uma moto quando chegar em Esperantina. A maioria dos esperantinenses que migram para São Paulo trabalham na construção civil em cidades do interior ou da região metropolitana. Na capital já não existe mais tantas obras em execução. Normalmente são pessoas que saem da zona rural de Esperantina e quando aqui chegam se mantém praticamente isoladas em colônias. Há casos de pessoas que não saem sozinhas por não saber ler e nem se locomover pela cidade. Desfrutar da sofisticação cultural de São Paulo está fora de cogitação nesses casos.
O ser humano migra pela necessidade de encontrar trabalho e o mínimo de dignidade na vida. Os bichos vão em busca de comida, calor e um habitat ideal. A migração é um processo doloroso, onde pode ocorrer a perda das raízes do local que ficou para trás. Consolidada como uma das maiores cidades do mundo, São Paulo recebem imigrantes do Brasil inteiro e de muitos outros Países. São Paulo recebe também muitos migrantes que deixaram Esperantina, cidade no norte do Piauí.
Desafios a cada dia
O gigantismo de São Paulo constitui o maior desafio para seus migrantes. São 11 milhões de pessoas na cidade, mas chega a 18 milhões quando somados a os habitantes das cidades situadas em volta da grande metrópole. Como sobreviver numa cidade tão grande, tão disputada e tão cara? Quem estiver melhor preparado sobreviverá. Os que necessitam de preparo se deparam com mais dificuldades e a certeza da derrota. Podem voltar para casa ou em casos extremos integrar à população de moradores de rua que há em São Paulo. O cotidiano da cidade faz com que não se tenha tempo para o cultivo das amizades e demais convívios sociais. Em São Paulo se vive na solidão.
Fontes de trabalho
É essencial que o migrante que chegue a São Paulo tenha pelo menos o curso de Ensino Médio concluído e um certo conhecimento de informática. Até para o desempenho de atividades de faxineiro se exige o Ensino Médio. Para os que tiverem uma baixa escolaridade só haverá esperança na construção civil, como ajudante. Em São Paulo se exige ainda que o trabalhador tenha contrato recente na Carteira de Trabalho. Se não tiver, o trabalhador estará eliminado das possibilidades de emprego, mesmo tendo capacidade para exercê-las. Há ainda a preferência por pessoas bonitas, embora seja proibido por lei. Seja em que atividade o trabalhador esteja, ele poderá não ter dia certo nem horário para trabalhar. Pode até mesmo trabalhar em diversos locais. Fim de semana, feriados? Deve esquecer ! São Paulo é uma cidade 24 horas.
Custo de sobrevivência
São Paulo é uma das cidades mais caras do mundo. Quem tiver um emprego tem apenas dinheiro para comer e pagar o local onde mora. Quem for disciplinado com o dinheiro pode economizar um pouquinho para investir em algo. A maioria dos migrantes moram na periferia, ou nas cidades conurbadas, como Osasco, Barureri, Guarulhos, Santo André ou Carapicuíba. A caminho do trabalho se gasta mais de 1 hora em ônibus, trem ou metrô.
Algo comum para um migrante esperantinense em São Paulo é o contato frequente por telefone com familiares que ficaram no Piauí, principalmente para os que trabalham na construção civil. Como essa atividade não garante emprego fixo, quem nela trabalha já tem data marcada para voltar para casa... É aquele trabalhador humilde que economiza para construir a casa própria em Esperantina. Os mais jovens economizam para comprar uma moto quando chegar em Esperantina. A maioria dos esperantinenses que migram para São Paulo trabalham na construção civil em cidades do interior ou da região metropolitana. Na capital já não existe mais tantas obras em execução. Normalmente são pessoas que saem da zona rural de Esperantina e quando aqui chegam se mantém praticamente isoladas em colônias. Há casos de pessoas que não saem sozinhas por não saber ler e nem se locomover pela cidade. Desfrutar da sofisticação cultural de São Paulo está fora de cogitação nesses casos.
![]() |
| Escultura em bronze do apóstolo Paulo em frente à Catedral da Sé. |
Minhas experiências
Era fevereiro de 2003, eu desembarcava pela primeira vez em São Paulo. Desci no Terminal Rodoviário do Tietê, peguei um ônibus e segui para a cidade de Jandira, cidade ao lado de Barueri. Era uma bela manhã e pude ver o Sol nascendo sobre a paisagem paulistana ao longo da Marginal Tietê. Tudo era novidade: o rio muito estreito, apesar de famoso. Quantas pontes, carros, barulho. Tudo aquilo era a São Paulo concreta diante de mim. Fui recebido por alguns parentes e amigos. Na época eu só tinha o Ensino Fundamental e portanto não conseguia arrumar emprego por mais que tentasse. Fiquei doente, fui submetido a uma cirurgia.
Alguns meses depois deixei Jandira para morar em Osasco, onde finalmente me arrumaram um emprego temporário numa construção civil. Com o dinheiro que economizei voltei para Esperantina. Muitos me perguntavam se eu ia comprar uma moto. Não comprei moto alguma e isso nunca esteve em meus planos. Durante 3 anos estudei bastante e depois retornei a São Paulo onde estou atualmente. Poucos dias antes de viajar ouvi através do rádio a música "AS ANDORINHAS" do BARRERITO. Lembrei dessa música durante toda a viagem de volta para São Paulo. Assim como as andorinhas que migram atravessando Países e Continentes, eu e muita gente também fazemos o mesmo.
Hoje não moro mais nas cidades da região metropolitana. Não trabalho mais como ajudante de construção civil. Perdi até mesmo o contato com as pessoas que tanto me ajudaram naquela época. Eles sabiam que essa evolução aconteceria e sempre me falavam disso. Um mundo diferente nos separou. Continuo humilde como sempre, mas admito que São Paulo mudou a minha vida, da forma de pensar à gravata que amarro no pescoço. Até a minha cara ficou branca.
Veja o video com a participação do Barrerito cantando a música AS ANDORINHAS. Programa "Especial Sertanejo", produzido pela Rede Record em 1997. Veja e observe a letra da música.
Era fevereiro de 2003, eu desembarcava pela primeira vez em São Paulo. Desci no Terminal Rodoviário do Tietê, peguei um ônibus e segui para a cidade de Jandira, cidade ao lado de Barueri. Era uma bela manhã e pude ver o Sol nascendo sobre a paisagem paulistana ao longo da Marginal Tietê. Tudo era novidade: o rio muito estreito, apesar de famoso. Quantas pontes, carros, barulho. Tudo aquilo era a São Paulo concreta diante de mim. Fui recebido por alguns parentes e amigos. Na época eu só tinha o Ensino Fundamental e portanto não conseguia arrumar emprego por mais que tentasse. Fiquei doente, fui submetido a uma cirurgia.
Alguns meses depois deixei Jandira para morar em Osasco, onde finalmente me arrumaram um emprego temporário numa construção civil. Com o dinheiro que economizei voltei para Esperantina. Muitos me perguntavam se eu ia comprar uma moto. Não comprei moto alguma e isso nunca esteve em meus planos. Durante 3 anos estudei bastante e depois retornei a São Paulo onde estou atualmente. Poucos dias antes de viajar ouvi através do rádio a música "AS ANDORINHAS" do BARRERITO. Lembrei dessa música durante toda a viagem de volta para São Paulo. Assim como as andorinhas que migram atravessando Países e Continentes, eu e muita gente também fazemos o mesmo.
Hoje não moro mais nas cidades da região metropolitana. Não trabalho mais como ajudante de construção civil. Perdi até mesmo o contato com as pessoas que tanto me ajudaram naquela época. Eles sabiam que essa evolução aconteceria e sempre me falavam disso. Um mundo diferente nos separou. Continuo humilde como sempre, mas admito que São Paulo mudou a minha vida, da forma de pensar à gravata que amarro no pescoço. Até a minha cara ficou branca.
Veja o video com a participação do Barrerito cantando a música AS ANDORINHAS. Programa "Especial Sertanejo", produzido pela Rede Record em 1997. Veja e observe a letra da música.
Sobre o Colaborador:
![]() | Paulo Machado é um esperantinense que mora em São Paulo e é colaborador deste portal. E-mail: paulomachado963@gmail.com |



Paulo, vc foi um vencedor, mas tem muitos que não conseguem vencer aqui, saem de Esperantina, e pensam que aqui é um paraiso. Para se vencedr aqui devemos ter muitas perseverança e vontade de trabalhar. Eu sair de Esperantina em 1997, chegando aqui fui trabalhar como ajudante de pedreiro, mas como já tinha o o 2º grau fui chamado para ser auxiliar de almoxarifado, o tempo passou e eu fui conseguindo a cada ano um degrau na minha promoção, fui promovido a almoxarife, depois encarregado de almoxarife, depois encarregado administrativo. Dai resolvir fazer um curso de técnico em segurança do trabalho, o qual hoje estou nesta profissão. Hoje possor dizer que vencir, pois quando aqui cheguei ganhava em média um salário e meio, hoje a média é de 6 sálarios minimos. Constitui familiar aqui mesmo mas nunca esquecerei minha bela ESPERANTINA, a qual voltarei no final de 2012.
ResponderExcluirLISBOA - TÉCNICO SEGURANÇA DO TRABALHO
Me identifiquei na hora, parece até minha história. Parabés Paulo
ResponderExcluirPrezado LISBOA,
ResponderExcluirGostei muito de receber aqui o seu comentário, bem como o do outro leitor que não se identificou. Depois disso podemos concluir que essa matéria é como um "espelho", ou seja, traduz fielmente a realidade dos migrantes esperantinenses em São Paulo.
Lisboa, entre em contato comigo e podemos produzir uma boa matéria contando a sua história. Meu e-mail:
paulomachado963@gmail.com
PAULO MACHADO