3 de fevereiro de 2010

Faixada Hollywoodiana

Semana passada teve um longo feriado aqui nos Estados Unidos. Com alguns colegas, peguei a estrada e fui para Los Angeles. Eu estava muito contente não só pela possibilidade de descansar e ter alguma aventura dirigindo em terras estrangeiras, mas também porque iria conhecer vários lugares que até então tinha visto apenas pela TV e cinema, especialmente Hollywood.

A viagem foi tranquila. Apesar da fina camada de gelo que cobria o carro ao deixarmos Saint Mary’s College, o sol apareceu e o cenário se tornou propício para muitas fotografias e também para alguma reflexão nos poucos tempos de silêncio que fazíamos. Eu estava encantado com tudo o que via…

Depois de  cinco horas de viagem e apenas uma parada para um rápido lanche, chegamos ao nosso destino, Los Angeles… Deixamos nossa bagagem e o carro no hotel, e saímos para caminhar pelo centro da cidade… Alguns professores tinham sugerido que visitássemos a Catedral, que é de fato muito bonita, e também o Walt Disney Concert Hall… Lá fomos nós… Fotos e mais fotos… E para terminar o dia, passamos pelo centro histórico, onde jantamos antes de retornar para o hotel.

Aquela noite nos deitamos cedo. Estávamos cansados, mas também ansiosos pelo passeio do dia seguinte, que incluiria a praia de Santa Mônica, um trecho de montanhas e, finalmente Hollywood.

Às 8 horas da manhã, estudamos cuidadosamente o mapa e partimos… Tudo muito bonito. Muitas fotos! Finalmente, quando já passada das 14 horas, chegamos a Hollywood.

Meus olhos se dilataram. Tentei apreender cada detalhe daquele lugar. Depois de cinco minutos andando por lá, comecei a ter uma sensação muito intensa… E, finalmente consegui expressar meu sentimento perguntando: “É só isto?”.

Caminhamos para um lado e para outro, entramos e saímos, subimos e descemos e nada realmente chamou minha atenção, a não ser o número de turistas… Mesmo a caçalda da fama, que na televisão é mostrada como algo bonito, grande e encantador, é nada mais do que uma pequena área, mal cuidada… Por exemplo, o bloco de cimento no qual Nicholas Cage (meu ator preferido) deixou as marcas das mãos e dos pés tem uma baita rachadura…

Apesar da decepção, cumprimos todo o roteiro que incluiu a subida ao morro onde fica o letreiro “HOLLYWOOD”… Outra choque… Nem calçamento tem.

Ao voltarmos para o hotel, exaustos e, de certo modo, decepcionados, enquanto meus colegas pediam informações sobre os restaurantes da redondeza, fiquei no quarto revendo as fotos e pensando sobre tudo o que tinha me acontecido aquele dia. De repente, uma luz se acendeu em minha mente…

Hollywood é só faixada! Assim como os cenários de novelas e filmes, tudo apenas faixada. Bonito para se ver de longe, mas apenas de longe, porque se você se aproxima verá que aquilo é falso.

Quando apenas os lugares são faixada, pode ser que nos frustremos, mas quando as pessoas assumem esta “atitude hollywoodiana” de cuidar apenas da aparência e esquecer da interioridade, aí as coisas se complicam.

Acredito que assim como eu, você também já teve alguma experiência de frustração com pessoas que de longe pareciam tão espertas, seguras, sábias, mas que ao se aproximarem de você, revelaram-se tão infantis, egoístas, razinzas… Ou talvez você já tenha se flagrado tentando aparentar ser o que você não é.

Vivemos em uma sociedade que valoriza em excesso a aparência, e algumas pessoas parecem que se especializam em demonstrar serem aquilo que não são, muitas vezes mostram exatamente o oposto do que trazem no peito… Quando agimos assim tendemos a permanecer na solidão, pois faixadas são bonitas apenas à distância, não na proximidade.

Pessoas que vivem de faixada, geralmente são pessoas que tentam esconder suas feridas, cicatrizes, o problema é que a cada vez que fazem isto acabam se ferindo mais e mais, porque não é possível construir uma relação amorosa com base apenas na aparência…

Faixadas sim, mas com conteúdo… Podemos ser belos por fora e por dentro, e uma beleza complementará a outra!

R. C. Amorim Neto é Mestre em Educação pela Universidade Cidade de São Paulo (2008). Especialista em Gestão Escolar (2006) e em Psicopedagogia  (2008).

Possui graduação em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2004). Tem experiência na área de Educação, Filosofia, Pastoral Juvenil e Orientação Vocacional. Atualmente continua sua formação acadêmica em Saint Marys College of California, nos Estados Unidos.

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