16 de fevereiro de 2010

VOCÊ MESMO

Para Elis e Pedro

Você tem passado muito tempo diante do espelho preocupado com seu visual ou se sente inseguro em relação à roupa que vai vestir? Ou ainda, horas excessivas na academia em busca de um corpo perfeito? Cuidado! Você corre o risco de perder a conexão com você mesmo…

É saudável que nos preocupemos com nossa aparência. É importante dar atenção a saúde e vitalidade de nosso corpo. Porém, se há algum exagero nestas atividades motivado pelo desejo de agradar a outros, está na hora de se conectar novamente com sua interioridade.

Pessoalmente não acredito quando dizem: “Não me importo com o que os outros pensam de mim”. Todos nós nos importamos! O ser humano, por ser naturalmente social, depende de seus relacionamentos interpessoais. E relacionamentos também são baseados no que pensamos uns dos outros e no modo como transmitimos nossa percepção. Afinal, Lívia não se aproximaria de Marcos, se desconfiasse que ele tem uma imagem negativa a respeito dela.

Não resta dúvida de que nos importamos com o que os outros pensam a nosso respeito. Todavia, é necessário considerar o nível de importância que damos à opinião dos outros e as atitudes e comportamentos que tomamos baseados nisto.

João tem sete anos e pediu a seus pais um CD de músicas infantis. Ele ficou muito feliz ao receber seu presente e, eufórico, exibiu para seus amigos. Entretanto, seus primos adolescentes menosprezaram o presente de João, e ele acabou pedindo que seus pais trocassem o CD de músicas infantis por um de música pop.

Tal comportamento vindo de uma criança é completamente compreensível. Contudo, muitos adultos continuam repetindo este comportamento infantil. E isto não apenas no nível de presentes, objetos, mas em relação ao próprio corpo. Cabelos que mudam de cor e tamanho como massa de modelar muda de forma nas mãos de crianças. Homens saudáveis que se entorpecem com vitaminas, suplementos alimentares e fitas métricas para verificar o bíceps e também o peitoral. A quem estamos querendo agradar?

Em primeiro lugar, é importante descobrir para quem nos vestimos ou penteamos ou malhamos. É para uma pessoa específica ou apenas para uma ideia generalizada sobre o que imaginamos que os outros pensam a nosso respeito e que, possivelmente, nem corresponda à realidade?

O desejo desesperado de agradar aos outros faz com que a conexão com nossa interioridade se fragilize. Do que você realmente gosta? O que você espera de si mesmo? Se você é capaz de responder a estas perguntas, parabéns! Se ainda não, está na hora de parar e olhar para você mesmo, com um olhar que lhe ajudará a despertar para outros modos de ser e agir.
A opinião dos outros é importante, sim! Entretanto, não é possível considerá-la objetivamente se você não sabe qual a sua própria opinião. Descobrir o que pensamos sobre nós mesmos é uma tarefa importante, porque você é a única pessoa que realmente pode compreender o que é ser você, 24 horas por dia. Não se deixe esperando por você mesmo, vá ao seu encontro!

R. C. Amorim Neto é Mestre em Educação pela Universidade Cidade de São Paulo (2008). Especialista em Gestão Escolar (2006) e em Psicopedagogia  (2008).

Possui graduação em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2004). Tem experiência na área de Educação, Filosofia, Pastoral Juvenil e Orientação Vocacional. Atualmente continua sua formação acadêmica em Saint Marys College of California, nos Estados Unidos.

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